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Newsletter Novembro/20...

Mis à jour : il y a 6 jours


Queridos alunos e amigos,


Em Novembro, teremos aulas de Yoga presenciais e vamos transformar as nossas aulas de Filosofia do Yoga online (agora que terminámos o estudo do Yogasūtra de Patañjali) em Reflexões, Conversas e Práticas informais, sobre os mais diversos temas em relação com o Yoga e a Espiritualidade. Estes momentos de partilha, serão inspirados pela necessidade energética do momento, com base no dharma e no respeito da Ordem Cósmica. A participação é gratuita e reservada aos alunos do Shala🌿 ou aos alunos que frequentaram as aulas online ao longo dos últimos meses. Estes eventos têm como objectivo sustentar e complementar a prática de Yoga dos alunos do Shala🌿 ao quotidiano, além do tapete. Este mês, o Padma Yoga Shala🌿 estará encerrado apenas no dia de LUA CHEIA 🌕, segunda-feira, 30/11/2020. A LUA NOVA 🌑, será no domingo, 15/11/2020, não interferindo assim com o funcionamento regular das nossas aulas. Durante o mês de Novembro, o Padma Yoga Shala🌿 continuará a estar ABERTO às quartas-feiras de manhã, entre as 8h30 e as 10h30, para os alunos que queiram aproveitar para fazer a sua auto-prática quotidiana, beneficiando assim da energia do grupo e do espaço. Abaixo encontram o horário actualizado para o mês de Novembro.

Boas práticas!

(Para quem faz sentido, a Newsletter continua mais abaixo, recomendo vivamente que acolham apenas aquilo que ressoa convosco…)

Namaste 🙏💚🌱





Se desistires da legítima luta pela verdade e pelo direito, cometerás um grande crime contra a tua honra, contra o teu dever e contra o teu povo.

Bhagavad-Gītā, II. 33


Todos nós já ouvimos a expressão : “Quem conta um conto, acrescenta um ponto…”. E todos nós já vivenciámos, num momento ou noutro, as consequências (nem sempre agradáveis) desses “pontos” que vão sendo acrescentados às histórias das pessoas ou das situações, nossas, dos outros ou da população em geral.

Por vezes, somos nós que juntamos o nosso “grão de areia” à narrativa, por sentirmos que beneficia ou enaltece a mesma, no instante em que a desenvolvemos (seja uma narrativa inicialmente nossa ou de outros)… Geralmente, nessa situação, a nossa mente e o nosso ego têm o dom de nos fazer acreditar que é inofensivo, que não é grave, que temos razão, que está tudo bem, que é apenas um “ponto” completamente inócuo… Outras vezes, a situação muda completamente de figura e sentimo-nos extremamente ofendidos, ao ver a nossa história e realidade ser transformada por “pontos” acrescentados pelos “outros”, com base nos seus interesses pessoais, egos feridos ou sobredimensionados…

Por muito que nos pareçam situações diferentes, essa diferença é apenas ilusória e resultado da influência do nosso ego (asmitā) e dos véus da ignorância (avidyā), que nos impedem de reconhecer a REALIDADE tal como ela É e de nos estabelecermos de forma definitiva e permanente em sātya, a VERDADE… Porque uma mentira é sempre uma mentira, quer pareça enaltecer ou destruir a realidade, quer sejamos nós ou os outros a proferi-la nunca deixa de ser uma faceta de avidyā, a ignorância!


Aquilo que parece ser claridade de dia à massa do povo, é para o sábio escuridão e ignorância; e aquilo que é noite para a multidão, ele reconhece como luz meridiana. Isto quer dizer que aquilo que à gente do mundo sensorial parece ser real e verdadeiro, para o sábio é ilusão ; e aquilo que a maior parte dos homens julga ser irreal e não existente, o sábio conhece como o único que é Real e existente.

Bhagavad-Gītā, II. 69



Nem sempre paramos para reflectir verdadeiramente sobre a origem desses “pontos”, na sua grande maioria fictícios, resultado do conhecimento errado ou da imaginação (todos estes termos já foram abordados nas precedentes Newsletters, que se encontram todas online aqui, para quem queira reler e/ou relembrar). Quando refiro “origem”, não estou a referir-me à pessoa ou colectivo que os origina, mas sim ao kleśa que se encontra activo no momento em que surgem na narrativa (se bem que, muitas vezes, tanto os pontos, como a situação, a pessoa ou o colectivo que os origina, já são um excelente indicador de qual o kleśa que se encontra em acção!). E, muitas vezes, se não nos sentirmos “directamente” afectados, também não nos entregamos a uma reflexão profunda sobre as implicações e o impacto desses “pontos” acrescentados ao nível do KARMA individual E/OU colectivo (apesar de sabermos que cada acção traz consequências, a médio ou longo prazo) e, por ilusão, despreocupação ou preguiça, vamos mantendo o “conforto” de pensar que certas coisas só acontecem aos outros, noutros lugares, noutras épocas, nos livros, nos filmes, em universos paralelos ou noutros planetas (escolham a opção que  mais corresponde à vossa própria narrativa interior) e que não vale a pena pensarmos no assunto, que estamos “imunes” ou protegidos (e não, não estou a falar de vírus, estou a falar de consequências das nossas acções ou da nossa inacção, porque “não agir” também gera karma!)… 


Mas quem conhece a verdade, sorri, porque detrás da personalidade, vê a fonte real da ação, a CAUSA e o EFEITO.” 

Bhagavad-Gītā, III. 28



A maioria dos seres humanos vive a vida de tal maneira “desligado” dos outros e do ambiente que o rodeia (infelizmente, tantas vezes desligado mesmo de si próprio, do seu corpo, da sua respiração e energia vital, da sua mente e acima de tudo, da Consciência de Si mesmo), que não encontra sequer uma ligação com um “ponto” acrescentado na história colectiva da HUMANIDADE, com a qual não se identifica, que não considera “sua”… É o que é. Cada coisa acontece no TEMPO certo e divino e de nada serve interferir ou tentar apressar o processo de DESPERTAR de cada um, que é pessoal, individual e depende de tantas, tantas coisas…


Entretanto, os que conhecem a verdade inteira, devem acautelar-se para não ofuscarem com ela o fraco entendimento daqueles que ainda não estão preparados para conhecê-la, porque as doutrinas prematuras poderiam confundir e desviar estes da sua atividade.” 

Bhagavad-Gītā, III. 29



Outros, “empurrados” pela sabedoria do Universo, pela sua natureza intrínseca ou estimulados pelas próprias experiências e adversidades da vida (ou das múltiplas vidas), vão desenvolvendo a força necessária para viver de acordo com o DHARMA (Ordem Cósmica), reconhecer o seu próprio svadharma (dever pessoal ou missão de vida) e agir conscientes das implicações a nível pessoal e colectivo do karma gerado por cada pensamento, cada palavra e por cada acção manifestada. Surge assim uma responsabilidade energética e uma maturidade pessoal, só possível quando  se compreende que tudo no Universo está interligado, tudo e todos somos UM, a mesma CONSCIÊNCIA, manifestada nas mais diversas formas. E então, sātya(ou qualquer outro Yama/Niyama!) deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade, uma forma de integridade, de alinhamento com a verdadeira essência de cada um… De que outra forma poderíamos continuar a olhar para o nosso reflexo no espelho?


Cada ser age em conformidade com a sua natureza; também o sábio procura o que se harmoniza com a sua própria natureza, de acordo com aquilo que é o mais alto no seu caráter.

Bhagavad-Gītā, III. 33


Robert F. Kennedy, Jr. - Message for Freedom and Hope

(24/10/2020 - em inglês)


Quando um nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam; o exemplo que ele dá, é seguido pelo povo. Segue, portanto, os melhores de tua raça.

Bhagavad-Gītā, III. 21



E é assim que, através de pequenos “pontos” acrescentados em benefício próprio, a partir de interesses pessoais ou feridas interiores e sempre enraizados nas causas de sofrimento (kleśa), mesmo que possam por vezes parecer inicialmente inofensivos, que se vai atropelando sātya (VERDADE) e que, individualmente e/ou colectivamente, se vai deformando e esquecendo a Realidade e se vão construindo novas e diferentes realidades, adaptadas às necessidades de cada ego. E, é também assim, que se vai tornando cada vez mais espesso o véu da ignorância (avidyā) e se vão criando dissabores, divisões e guerras entre pessoas, regiões, países, classes sociais, raças, etnias, religiões, etc…, gerando violência nas suas mais diversas formas, espezinhando a primeira e mais importante das fundações do Yoga, ahiṃsā, a NÃO-VIOLÊNCIA! Sem ahiṃsā, não pode existir sātya… E sem estes e os outros Yama/Niyama(princípios éticos e morais/regras de disciplina pessoal) não pode existir YOGA… Dentro de cada um de nós, a cada instante, a cada narrativa efectuada ou recebida, as possibilidades de escolha entre os mais diversos princípios e valores são infinitas… E ninguém pode, ou deve, escolher por nós os valores aos quais desejamos aceder ou de que forma escolhemos agir!


Como os que carecem ainda da Luz Espiritual fazem esforços para alcançar o que desejam, sendo a esperança de recompensa o estímulo de suas ações; assim deve o homem desenvolvido e iluminado agir abnegadamente, pela causa do bem comum e conforme a Lei Universal.” 

Bhagavad-Gītā, III. 25



Acrescento um “ponto ao meu conto”? E acredito em cada “ponto dos contos que me contam”? E porque o faria? Quem beneficia com a minha crença neste “ponto”? Eu? O outro? Que kleśa se activa em mim, incentivando-me a fazê-lo? Que kleśa se activa no outro? Estou com medo? Repulsa? Apego? Tenho o ego ferido? E o outro? Estou “desligado” da minha verdadeira essência, ignorante da união entre tudo e todos? Ou estou no meu centro, no meu silêncio interior que me permite escutar, além das causas de aflição, a voz da minha verdadeira essência, da CONSCIÊNCIA que realmente sou? E o outro?

Apesar de ser necessário um grande esforço, uma constante disciplina e prática quotidiana pessoal, ao escolhermos o alinhamento com a voz do nosso coração, com a nossa intuição profunda e a nossa verdadeira essência, ao escolher a libertação da influência dos kleśa e do sofrimento que acarretam, não há como não reconhecer a VERDADE, mesmo sem “provas científicas”… Porque é exactamente isso que nós SOMOS : Tat Tvam Asi तत् त्वम् असि (“Tu és Aquele”)…


A verdade é sua própria prova, não precisa de nenhum outro testemunho para provar sua verdade; ela brilha sozinha. Penetra nos recantos mais íntimos da nossa natureza e, na sua presença, todo o Universo se levanta e diz: « Aqui está a Verdade ».”

Swāmi Vivekānanda




De que forma podemos evitar a identificação com esses “pontos adicionados aos contos” ou libertar-nos deles, se por distracção (muito nos rimos, alguns de nós, há uns dia, quando associei esta “distracção” à frase do “Olhó passarinho!”, que usamos com as crianças, quando queremos desviar a sua atenção… Obviamente, esta fórmula não tem qualquer eficácia comigo, já que olho imediatamente em sentido oposto do 🐦, para ver o que querem esconder… 😂) ou manipulação, deixámos que penetrassem na nossa esfera pessoal e íntima, alimentando assim as nossas próprias causas de sofrimento (a ignorância, o ego, o apego, a repulsa e o medo da morte)? De que forma podemos evitar a criação de novos véus de ilusão que nos mantêm ignorantes (avidyā) e incapazes de desenvolver o nosso discernimento, numa espécie de ciclo vicioso, já que sem discernimento não podemos libertar-nos dos véus da ignorância?



Yogasūtra II.26

विवेकख्यातिरविप्लवा हानोपायः॥२६॥ 

viveka-khyātir-aviplavā hānopāyaḥ ॥26॥


«O discernimento discriminativo ininterrupto é o método para a sua remoção [da ignorância].».



O Yoga diz-nos que a solução se encontra na prática dos seus oito membros, que leva à VERDADE e à LIBERDADE… Já me ouviram dizer isto muitas, muitas vezes…

Mas será que existe outra resposta que traga soluções mais fáceis, rápidas, eficientes? É que, às vezes, esta coisa do Yoga parece que não anda suficientemente depressa, tendo em conta a insanidade que observamos à nossa volta, a falta de coerência, a (des)informação e a censura, dizem-me vocês… Poderia dar-vos uma fórmula mágica, para que o vosso discernimento pudesse desenvolver-se da noite para o dia, sem esforço, tornando-vos “imunes” às Fake News, à manipulação, à angústia da incerteza e à dependência das opiniões, regras e ordens impostas pelas “autoridades”? Dizer-vos o que pensar, o que fazer, o que sentir? E se o fizesse, estaria a respeitar o vosso livre-arbítrio? Estaria a respeitar o Dharma, a vossa Ordem e o vosso Tempo Divino, para que a Verdade se revele quando estejam (verdadeiramente) prontos para a acolher? Estaria a ajudar-vos, dando-vos todas as respostas? Ou simplesmente a influenciar o vosso pensamento ou pior, a manipular-vos? E o que faria isso de mim? Quais seriam as implicações kármicas de tal atitude? E de que forma isso se adaptaria ao meu papel de professora de Yoga? A resposta é sempre a mesma… No final, nunca se trata do que dizemos, mas sim do que SOMOS.


Porque cada coisa acontece quando tem de acontecer, dentro da Ordem Cósmica e do Tempo Divino...



O professor de Yoga só APONTA, não diz o que tem que ser visto! Neste mundo em rápida e profunda transformação, o respeito desta regra tornou-se ainda mais essencial! Cada aluno é livre de se questionar e de escolher se quer verdadeiramente enveredar pelo caminho indicado, qual é o ritmo ideal para o percorrer e quanto tempo precisa para construir as fundações necessárias para que possa avançar em segurança! Esse é o caminho do Yoga, o caminho do auto-conhecimento e da sabedoria e essa escolha é da responsabilidade do aluno. Como disse Antonio Machado, “O caminho faz-se caminhando…” e cada um de nós, tem o seu, e apenas o seu, para percorrer! Ao longo desse caminho, o professor pode e deve acompanhar, apoiar, sustentar o aluno, mas nunca dando soluções mágicas ou de facilidade, através de palavras ditas ou escritas, de narrativas que podem facilmente ser alteradas segundo a vontade e o ego de cada um (como já se tornou hábito, nos dias que correm), bastando para isso “acrescentar ou retirar um ponto”… O meu caminho, é o caminho do reconhecimento da VERDADE e da LIBERDADE que JÁ SOMOS e é nessa direcção e apenas nessa direcção que aponto e continuarei a apontar, mesmo que pareça assustador para a maioria das pessoas, por obrigar à prática constante e ao desapego. Não é fácil abrir mão das nossas ilusões… E, ao mesmo tempo, nada poderia ser mais gratificante! À medida que identificamos tudo “o que não é”, o impermanente, o mutável, o incerto e limitado, vai sobrando apenas “aquilo que é”, o permanente, o imutável, o ilimitado… À medida que vamos abrindo mão de tudo o que não somos, vai-se revelando a nossa verdadeira essência, o que JÁ SOMOS! Por isso, enquanto aguardo que a Verdade e a Liberdade se manifestem no mundo físico, de forma global e colectiva, vou continuar a APENAS SER!


Com toda a prática, dedicação, perseverança, consciência e desapego que isso implica… 😉🌱💚


Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.

Albert Schweitzer



Levantem-se, oh Leões, e abandonem a ilusão de que são ovelhas; vocês são almas imortais, espíritos livres, abençoados e eternos; vós não sois a matéria, vós não sois corpos;

a matéria é vossa serva, e não vocês, os servos da matéria.

Swāmi Vivekānanda



ॐ असतो मा सद्गमय । तमसो मा ज्योतिर्गमय ।

मृत्योर्मा अमृतं गमय । ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥

oṁ asato mā sad gamaya tamaso mā jyotir gamaya

mṛtyor mā amṛtaṁ gamaya oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ

Oṁ

Possamos nós ser conduzidos da ilusão para a verdade.

Possamos nós ser conduzidos da escuridão para a luz.

Possamos nós ser conduzidos da morte para a imortalidade.


Que haja Paz, Paz, Paz.



ॐ लोकाः समस्ताः सुखिनो भवन्तु

ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः॥

Oṁ lokā samastā sukhino bhavantu

Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ

Hariḥ Oṁ 

Oṁ

Que todos os seres, em todos os lugares, sejam felizes.

Que haja Paz, Paz, Paz.



Obrigada por me lerem… Com todo o meu amor e carinho, desejo-vos coragem, bons questionamentos (hoje e sempre) e boas práticas… Dentro e fora do tapete! Para que um dia, possamos ver no mundo, a mudança que ocorre em nós através do Yoga!

Namaste, 🙏💚🌿 Rita



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