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Newsletter Outubro/20...


Queridos alunos e amigos,

Em Outubro, teremos aulas de Yoga presenciais e aulas de Filosofia do Yoga online.


O Padma Yoga Shala🌿 estará encerrado no dia de LUA CHEIA 🌕, quinta-feira, 01/10/2020e no dia de LUA NOVA 🌑, sexta-feira, 16/10/2020, mas estará ABERTO no feriado de 05/10/20, segunda-feira. A LUA CHEIA 🌕 regressa no final do mês, no sábado, 31/10/2020.


Durante o mês de Outubro, o Padma Yoga Shala🌿 estará igualmente ABERTO às quartas-feiras de manhã, entre as 8h30 e as 10h30, para os alunos que queiram aproveitar para fazer a sua auto-prática quotidiana, beneficiando assim da energia do grupo e do espaço.


Abaixo encontram o horário actualizado para o mês de Outubro.

Boas práticas! Namaste 🙏💚🌱

(Para quem faz sentido, a Newsletter continua mais abaixo…)





“O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define-se a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja insurgindo-se diante delas. Noutras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas decide sempre como será a sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte.”

Viktor Frankl

Quando há cinco meses atrás, o meu professor de Vedanta, Arvind Pare, decidiu “adaptar-se” às restrições actuais e aceitou finalmente ensinar online (já lhe tinha sido pedido tantas vezes e nunca tinha aceite, pois gosta de conhecer os alunos e olhá-los nos olhos, à medida que vai transmitindo os ensinamentos que recebeu do seu próprio professor, Sri Swami Dayananda Saraswati), senti imediatamente que era uma oportunidade única a não perder. O Arvind ensina com doçura, com muita disciplina e dedicação. As aulas são quotidianas, com pausas apenas ao fim de semana, o que faz com que seja um compromisso exigente (tanto para o professor como para o aluno), principalmente quando decidimos entregar-nos de corpo e alma à aventura que representa o estudo quotidiano das Upaniṣad e o estudo de nós mesmos através destes textos, que a tradição hindu considera sagrados (svādhyāya). Iniciámos em Maio o estudo da Bhagavad-Gītā e, em Setembro, tínhamos alcançado o XVI capítulo (são dezoito no total). A reflexão que se segue, tem uma ligação directa com esse mesmo capítulo, que poderão encontrar no final da Newsletter, para o caso de sentirem interesse em lê-lo.

No primeiro mês de estudo, enquanto estávamos todos “confinados”, a aula estava cheia e todos os alunos pareciam extremamente motivados, reconhecendo nestes ensinamentos um verdadeiro apoio para encontrar o equilíbrio interior face ao isolamento, mas à medida que as restrições iam sendo levantadas, cada um regressava à sua vida “normal” e a sala (online) ia ficando mais e mais vazia… Enquanto assistia a este fenómeno muito comum de “debandada” quando aumentam as solicitações exteriores (a maioria das pessoas vive tão sobrecarregada, nos dias de hoje…), em que o bem-estar físico, psíquico, emocional e mesmo espiritual é relegado para segundo plano, face às prioridades e urgências materiais (casa, trabalho, filhos, etc.) ou mesmo ao divertimento (férias, jantares, convívios, etc.), ia-me questionando profundamente sobre o que representavam para mim essas prioridades, a tal “normalidade” e o próprio sentido da vida…

Consciente do esforço comum que representava este compromisso quotidiano, quer a nível físico, quer a nível psicológico, emocional e espiritual (a prática de svādhyāya, vem sempre com todas as inevitáveis consequências de um questionamento intenso e quotidiano sobre “Quem Sou Eu?”…), mas também consciente da sua importância para a compreensão e a minha prática quotidiana de Yama/Niyama em plena época de crise, fiz uso de todo o meu tapas(esforço sobre mim mesma), conciliei todas as minhas obrigações, mudei o que era preciso na minha vida, adaptei todas as minhas rotinas a estas aulas e entreguei-me de corpo e alma ao estudo da Gītā


“Insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

Albert Einstein


Todos aqueles que se entregaram ao desafio que vos tinha lançado no início do ano (praticar um Yama/Niyama por mês), perceberam que é bem mais difícil praticar quotidianamente estes dois primeiros membros do Yoga do que praticar āsana, e compreendem porque falo de “esforço”!! Mas de que outra forma podemos encarnar a mudança que queremos ver manifestada no mundo?


“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.”

Mohandas K. Gandhi



Este poema, cujo recito é constituído pelo diálogo entre Kṛṣna (8° avatāra do deus Viṣṇu, identificado como uma manifestação de Brahman, a Consciência Universal) e Arjuna, um príncipe guerreiro (kṣatriya), no momento que precede a batalha de Kurukṣetra, a maior e mais importante batalha de toda a história da Índia antiga, descreve uma luta pelo poder e a soberania entre dois clãs rivais de uma mesma família, os Pāṇḍava, liderados por Arjuna e os Kaurava, liderados por Duryodhana. O resultado desta guerra inevitável, depois de inúmeras tentativas falhadas para restabelecer a Paz e a Justiça, representa uma ameaça ao dharma ou Equilíbrio Cósmico, sendo que os Pāṇḍava representam o BEM/Justiça e os Kaurava representam o MAL/Injustiça. Com a luta entre o bem e o mal como pano de fundo, são abordados inúmeros temas que sempre suscitaram questionamentos profundos nos seres humanos, ao longo de toda a história da Humanidade, principalmente em épocas de crise ou transformações sociais profundas como a que vivemos actualmente - a Vida, a Morte, a lei de Causa e Efeito (karma), o equilíbrio cósmico (dharma), a forma como podemos libertar-nos dos condicionamentos e do sofrimento (yoga), etc…




À medida que o estudo foi avançando, fui confrontada a diversos momentos de plena compreensão e serenidade, mas também a momentos de frustração e desmotivação, como acontece naturalmente quando nos entregamos de alma e coração ao estudo de nós mesmos e nos autorizamos a observar sem julgamentos os nossos limites, os nossos condicionamentos e a nossa ignorância sobre nós mesmos (avidyā).

 

“Olhar para nós próprios sem assumir uma atitude, sem uma opinião, julgamento, avaliação, é uma das tarefas mais árduas.”

Jiddu Krishnamurti




Há mais de dez anos atrás, quando estudei a Gītā pela primeira vez, percebi imediatamente que as respostas às minhas questões nunca surgiam nos versos seguintes aos que desencadeavam este intenso questionamento interno. Por vezes, nem sequer surgiam no mesmo capítulo. Era como se cada verso ou capítulo semeasse uma semente e, algum tempo depois, após reflexão e amadurecimento da mesma, noutro verso, noutro capítulo e mesmo meses ou anos depois, a resposta podia então surgir naturalmente, simplesmente, como se tivesse estado dentro de nós desde o primeiro instante, à espera de se revelar. Tendo em conta o contexto exterior actual de mudança e incerteza, o estudo de um texto como este, pode revelar-se um verdadeiro desafio, mas é sem dúvida uma experiência muito gratificante (saṃtoṣa) e transformadora! E, não só enquanto praticante, mas também enquanto professora de Yoga, estudar este texto, com este professor 🙏💚, neste momento e neste contexto, foi um dos maiores privilégios que poderia ter vivido, neste caminho que escolhi!


“Se vivêssemos do trabalho que amamos, tudo seria muito diferente - compreenderíamos a totalidade da vida.”

Jiddu Krishnamurti



Estes ensinamentos foram trazendo um novo ponto de vista sobre questões antigas e fomentando outras novas, surgindo naturalmente após reflexão sobre a sociedade e o contexto actual, em que os principais valores éticos e morais parecem estar “invertidos” (e não me digam que não se deram conta, porque para além do vírus que chegou em 2020, há muitos anos que andávamos quotidianamente a banalizar questões como a guerra, fome, miséria, depressão, suicídio, violência, abusos, pornografia, pedofilia, etc…). Por não me sentir em alinhamento com essa inversão de valores, no topo da minha lista pessoal de “prioridades” e de “normalidade”, lado a lado com as necessidades básicas de sobrevivência (são necessidades comuns a todos os seres humanos, incluindo os professores de Yoga, e deveriam ser um direito de todos, não uma luta quotidiana para milhões de pessoas…), encontra-se a intenção de alinhar totalmente, plenamente, completamente, dia após dia, prática após prática, todos os aspectos da minha vida com os princípios e valores preconizados pelo Yoga, através da prática dos Yama/Niyama e das Leis Universais, de Dharma (Lei do Equilíbrio ou Ordem Cósmica) e Karma (Lei de Causa e Efeito).


“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado noutra. A vida é um todo indivisível.”

Mohandas K. Gandhi


Porque somos todos UM, porque somos todos a mesma CONSCIÊNCIA divina, porque somos todos Sat-chit-ānanda (“Existência”, “Consciência”, “Felicidade”), o facto de vivermos num mundo completamente adhármico e desequilibrado, onde os mais altos valores éticos e morais parecem estar completamente distorcidos, invertidos ou terem sido simplesmente abandonados, é um dos maiores desafios com o qual a maioria dos seres humanos se debate actualmente e uma das principais causas desta tristeza, raiva, frustração e sensação de impotência colectivas… Uma sociedade de consumo à beira do colapso, mas cujos interesses financeiros de uma minoria continua a  sobrepor-se a tudo o resto, incluindo a saúde, o bem-estar e a preservação do próprio Planeta Terra e dos seres que o habitam… Uma sociedade que, em nome da protecção dos indivíduos que a constituem, é capaz de mobilizar “mundos e fundos” para combater um vírus cuja taxa de mortalidade não chega a 0,02% da população mundial, mesmo que os números apresentados correspondam à verdadeira causa da morte (inclusivamente através de doações de milhares de milhões de Euros, por parte inclusivamente da maioria dos Governos Mundiais, cujas economias e respectivos cidadãos se encontram em agonia, para o desenvolvimento rápido de vacinas, cuja eficácia é mais que duvidosa e que, até hoje, não conheci uma ÚNICA pessoa que esteja disposta a tomá-la! Vocês conhecem?), mas capaz de deixar morrer à fome milhões de pessoas no mundo inteiro e  mesmo educar as crianças para não partilhar comida… Obviamente, o coração de cada ser humano logo lhe dirá o que sente, face a tudo isto, não me cabe a mim essa função, apenas partilho que ao escutar o meu coração, vejo claramente um sistema de valores invertidos, com o qual não me identifico e com o qual me recuso a pactuar… 😔


“Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?”

Bertolt Brecht



A lei do Karma traz uma resposta parcial para esta questão dos “sistemas de valores invertidos”, explicando que cada acção traz uma consequência, por isso, sempre que uma acção não seja justa e correcta, as consequências que surgirão serão o resultado directo das mesmas. Muitas pessoas sentem-se desamparadas face ao facto de não se lembrarem das acções passadas de outras vidas, de serem “forçadas” a viver as consequências dessas mesmas acções… Mas desta vida que estamos a viver neste momento, todos nos lembramos, não é verdade? Então, possa esse ser o nosso ponto de partida, a nossa “ferramenta” de trabalho, para vivermos uma vida em harmonia com tudo o que nos rodeia! (Dito isto, não tenho dúvidas que, muitos de nós, se tivéssemos essa memória e essa consciência, faríamos menos asneiras ao longo da vida e prometo que, se chegar até à “Fonte” através da prática de Yoga, faço uma reclamação por escrito, também em vosso nome! 😂) O Yoga não responde directamente ao porquê de avidyā (ignorância), mas dá-nos um método fiável para nos libertarmos dela e do sofrimento que a mesma implica, ou seja, a prática dos seus oito membros! Porque mesmo não nos lembrando das acções passadas, nada nos impede de agir conscientemente face às circunstâncias presentes, pois não? Afinal, nós vivemos é no “aqui e agora”! No final, apesar de tudo o que nos é imposto, é importante não nos esquecermos que ainda possuímos o nosso Livre-Arbítrio… Face a cada evento da nossa vida, face a cada possibilidade ou decisão importante, podemos sempre escolher posicionar-nos de um lado ou do outro, escolher o Dharma ou o Adharma, o Bem ou o Mal, o Amor ou o Medo, mantendo-nos autênticos e fiéis a nós mesmos, independentemente da opinião dos outros ou da maioria. É sempre uma questão de escutar o nosso coração!💚


“Tudo pode ser retirado de uma pessoa, excepto uma coisa: a liberdade de escolher a sua atitude em qualquer circunstância da vida.”

Viktor Frankl



E como ter a certeza, que estamos a posicionar-nos de um lado ou de outro? Por vezes temos boas intenções e acabamos por prejudicar-nos a nós mesmos ou aos outros!”, podemos pensar… Mais uma vez, é uma questão de nos libertarmos da opinião dos outros (incluindo aquela que vos transmito hoje, que é apenas isso, uma opinião de uma pessoa diferente de vós!), de desenvolver o nosso próprio discernimento, de escutar o nosso coração e de deixar que se manifeste o nosso Intelecto (buddhi), cujas características são a rectidão (ou seja, o dharma, esta força de coesão e harmonia, que preserva e sustenta cada ser e ao mesmo tempo, regula as relações entre os seres), o conhecimento  (do exterior e de si mesmo), o desapego e a soberania. O nosso Intelecto (buddhi) é o que mais se aproxima da nossa verdadeira essência e, por essa mesma razão, nunca nos engana! No entanto, precisamos de silêncio para o ouvir e isso é geralmente difícil de alcançar, de tal maneira nos perdemos no barulho provocado pelos nossos vṛitti e pela nossa mente, que é capaz de dar origem a mais de 6000 pensamentos por dia… Dhyāna, a meditação, surge assim como uma etapa inevitável e indispensável, para quem deseja avançar neste caminho do Yoga, silenciar a mente, escutar a sua intuição e agir em consciência!


“Estar em comunhão com nós próprios significa silêncio absoluto, para que a mente possa estar silenciosamente em comunhão consigo própria em relação a tudo. E, a partir daí, existe uma acção total. Somente do vazio nasce a acção completa e criativa.”

Jiddu  Krishnamurti



Ao longo da leitura do XVI capítulo da Gītā, cujo tópico é o discernimento entre as características “divinas” (daiva) e as características “demoníacas” (āsura), à medida que as mesmas vão sendo descritas, começamos a perceber que temos um pouco de ambas dentro de nós, em maior ou menor quantidade, num ou noutro momento ou situação e quase sempre desencadeadas pelas nossas tendências e condicionamentos, pela nossa capacidade a posicionar-nos nestas vibrações e energias opostas, que são o Amor e o Medo. Mas, aos poucos, vamos igualmente percebendo que, se formos autênticos, não é tão difícil quanto isso percebermos como estamos a posicionar-nos… 


- Estou ao serviço dos meus próprios interesses pessoais (financeiros, de prestígio ou outros), ou estou a agir em Serviço aos Outros (pessoas, animais, o próprio Planeta), para o bem-estar de TODOS, mesmo que isso exija um esforço pessoal da minha parte e uma saída da minha zona de conforto?

- Estou a consentir com algo que me é sugerido (actualmente são mais imposições que sugestões, infelizmente…) e a agir em conformidade com isso, porque acredito verdadeiramente no seu bem fundado, mesmo que isso exija o tal esforço pessoal da minha parte, ou porque tenho medo de eventuais represálias ou de perder privilégios?

- Estou pronta(o) a assumir as consequências futuras de todas minhas acções (mesmo que isso exija um esforço pessoal da minha parte e uma saída da minha zona de conforto) ou, quando as mesmas se manifestarem (inevitavelmente, pois não existe causa sem efeito), escolherei o papel de vítima e/ou a desculpa da “ignorância”? -  Estou consciente de cada vez que escolho a submissão em vez da soberania, para preservar a minha própria energia e estou em paz com essa escolha, mesmo que encontrar essa paz interior exija também um esforço pessoal da minha parte e uma saída da minha zona de conforto? Porque às vezes é preciso agir e outras vezes é preciso guardar forças para outras acções futuras e está tudo bem assim!  Quando estamos prontos para efectuar esse esforço pessoal e sair da nossa zona de conforto, com o intuito de agir de acordo com o dharma e em Serviço ao Outro, além do nosso egoísmo, sem perder a nossa autenticidade, a nossa paz interior e capazes de aceitar as consequências das nossas acções com equanimidade, tudo parece fácil. Mas, e quando nos faltam as forças e a coragem para escolher o caminho do dharma, apesar de sentirmos que esse é o caminho que queremos percorrer? Nesse caso, enchemos o coração de compaixão, evitamos os julgamentos, cuidamos de nós mesmos e prometemo-nos voltar a tentar, quando nos sentirmos mais fortes, mais corajosos, menos sozinhos. Porque este é um caminho que só pode ser percorrido com uma energia de Amor, nunca com uma energia de Medo… E, acima de tudo, não nos podemos esquecer que é uma prática e que, como tudo na vida, é preciso tempo e paciência, para que a mesma dê frutos…




Ontem perguntaram-me se estava mais “conformada” com a situação actual. A resposta é NÃO. Não estou. Mas estou perfeitamente conformada com o facto de não me conformar! Posso trabalhar tanto quanto possível a indispensável equanimidade face a tudo o que testemunho neste momento, no mundo actual, para aceitar tudo aquilo que não posso mudar (interiormente e exteriormente!) e compreender os mais diversos pontos de vista, o que não me é difícil fazer, já que ao longo dos anos fui aprendendo a olhar para tudo e todos de uma forma holística e distanciada, ou não fosse essa uma parte importante do trabalho que faço. Mas não faço intenções de me ajustar ou resignar com uma situação que, como já referi na precedente Newsletter, considero que se aparenta a uma ditadura sanitária, nem tão pouco faço intenções de “não-agir”, face ao que posso mudar (mais uma vez, tanto dentro de mim, como no exterior). Porque isso também é Yoga e, no final,  como dizia Jean-Paul Sartre, “o pior mal é aquele ao qual nos acostumamos”… 

“Historicamente, as coisas mais terríveis - a guerra, o genocídio, a escravatura - resultaram não da desobediência, mas da obediência.”

Howard Zinn



Mesmo que venha a ser provado “cientificamente” que este vírus era realmente muito perigoso e destruiu a vida de muitas pessoas (e mais uma vez, manifesto a minha sincera compaixão por todos os que foram directamente afectados pela doença, os que morreram, os que ficaram com sequelas, os familiares que foram impedidos de se despedir dignamente de quem faleceu…), de uma perspectiva holística, nunca poderei aceitar apenas essa parte da “verdade” e ocultar o facto de as medidas draconianas utilizadas para evitar a sua propagação, terem destruído a vida de um número ainda maior de pessoas (também isso já foi provado cientificamente por cientistas do mais alto nível, como se pode verificar, por exemplo, aqui, mas continua a não interessar quem toma decisões - para além da crise económica, do desemprego e da fome gerada por estas medidas, a minha solidariedade e compaixão vai também para todos aqueles que ficaram prisioneiros dentro de casa durante semanas, sem qualquer tipo de rendimentos). Não poderei “não ver” que, contra ventos e marés, outras sociedades que optaram por outras atitudes face ao mesmo problema, obteram outros resultados que se revelam “holísticamente” mais eficazes…


“É mais fácil enganar as pessoas,

do que convencê-las de que foram enganadas.”

Mark Twain


Do ponto de vista prático, continuarei a usar a máscara nas lojas  enquanto for obrigatório (mas sempre procurando outras alternativas), consciente de que me estou a submeter (o que é diferente de concordar) e assumindo que estou a agir a partir do Medo (de sofrer represálias, e sim, enquanto há medo, há trabalho pessoal para desenvolver, eu sei disso!), mas também a partir do Amor (amor de mim mesma, ao escolher sabiamente as “batalhas” que merecem verdadeiramente ser travadas e nas quais estou disposta a investir plenamente a minha energia, evitando o dispersar da mesma!). Mas continuarei a não colocar a máscara por cima do nariz, para poder respirar livremente e também continuarei a apoiar o meu filho de 12 anos que, pela mesma razão, faz o mesmo na escola, desobedecendo conscientemente às regras e pronto para aceitar as eventuais consequências dessa desobediência (mesmo que seja o único a fazê-lo). E esta é uma acção que tem por base o Amor (por ele e por todas as crianças que já começaram a manifestar sinais de mal-estar físico, psíquico e emocional, apesar de lhes ter sido igualmente retirada a voz e a opinião…). Face a estas medidas políticas, com as quais milhares de especialistas no mundo inteiro não concordam (e, finalmente, também em Portugal, alguns médicos começam a ousar um discurso diferente, através do Movimento Médicos pela Verdade Portugal), decido continuar a abraçar e beijar todas as pessoas que se sentem confortáveis com isso e a respeitar o distanciamento de todos aqueles que assim o escolheram. Por Amor por ambos. Também por Amor, continuarei a relembrar a todos os que parecem ter esquecido que o próprio conceito de saúde, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1947, define-a como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade" e que isso depende de factores múltiplos, como uma alimentação saudável, a prática regular de exercício físico e mesmo de nos sentirmos respeitados, amados, felizes! E continuarei a agir de acordo com o meu coração e com os Yama/Niyama, para que TODOS (e este é um link que recomendo vivamente, para quem ainda pensa que só quem não percebe nada de ciência, é que pode pensar de forma "inconsciente, egoísta e irresponsável" como eu!) possam ser livres para exprimir-se, sem serem discriminados, censurados, rebaixados, etc, mesmo que o seu discurso seja diferente daquele a que fomos habituados nos últimos 7 meses. E isso, também por Amor (a uma vida mais plena, harmoniosa, respeitadora e consciente para todos os seres humanos) e uma pontinha de Medo, (o que será este novo mundo que se está a criar e no qual os meus filhos serão obrigados a crescer e viver, se continuarmos a escutar e a impor um ponto de vista único e regras que carecem de verdadeiras provas científicas e mesmo bom senso?)



A Vida coloca-nos face às circunstâncias, mas não nos impõe a forma como escolhemos agir face às mesmas. E eu escolho agir de acordo com a minha vida de Yoga. Porque o meu objectivo é mokṣa, a Liberdade! E não tenho dúvidas que apenas uma vida de dharma me levará até lá… 

Faz, pois, o que deve ser feito; porém, sem egoísmo e sem considerações pessoais. Quem age assim e cumpre o seu dever, livre de motivos egoístas, e sem depender de alguém, caminha, com passos firmes, diretamente à Consciência superior, ao plano espiritual.” 

Bhagavad-Gītā, 3.19



Obviamente, estou perfeitamente consciente que esse caminho é só meu e não tenho intenção de convencer os outros a seguir o mesmo ou de os julgar porque escolheram seguir uma via completamente diferente da minha. Eu escrevo estas Newsletters, porque sinto que o que partilho nelas está alinhado com o meu svadharma, mas não obriga ninguém a ler, nem tão pouco a concordar! Por isso escrevo no início : “Para quem faz sentido, a Newsletter continua mais abaixo…”. Para além disso, recomendo vivamente que guardem apenas aquilo que ressoa convosco! Afinal, o vosso Intelecto, a vossa buddhi, também é Justa, Conhecedora, Desapegada e SOBERANA! 🙏💚

Que mais vale seguir seu próprio dharma, mesmo imperfeito, do que o dharma d’outro na perfeição; mais vale expirar no seu dharma do que seguir, em grande p’rigo, o dharma alheio.

Bhagavad-Gītā, 3.35



É assim que, fazendo uso do meu livre-arbítrio e pronta para aceitar as consequências de TODAS as minhas acções, continuo a minha prática e a minha vida de Yoga, com imensa gratidão por estar presente neste mundo, neste momento específico de mudança estrutural profunda nas sociedades humanas, apesar de tantos desafios (ou graças a eles)! Para cada indivíduo, mas especialmente para nós, praticantes de Yoga, esta é uma ocasião única para trabalhar o nosso discernimento, desenvolver equanimidade e resiliência, compaixão e coragem, enfim, construir os pilares da nossa prática e da nossa Vida, a partir dos dois primeiros membros do Yoga, os Yama, princípios éticos e morais que têm como objectivo harmonizar a nossa relação com a sociedade humana e com o mundo dos seres vivos em geral e os Niyama, regras de conduta pessoal, que permitem uma melhor organização da vida interior e pessoal… Face a cada evento da nossa vida, face a cada possibilidade ou decisão importante, podemos sempre escolher posicionar-nos de um lado ou do outro, escolher o Dharma ou o Adharma, o Bem ou o Mal, o Amor ou o Medo e, com coragem e equanimidade, aceitar o que daí virá, abraçando a nossa verdadeira essência e autorizando-nos a SER quem realmente somos. 

“Aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.”

Nelson Mandela


No dia 14 de Janeiro de 1984, quando tinha 7 anos e frequentava o 2º ano de escolaridade, fui numa visita de estudo a uma “fábrica”, que afinal era um matadouro (como pode alguém pensar que será benéfico para as crianças, fazer uma visita de estudo a um matadouro?? 😔). Lembro-me (como se fosse ontem) de ter chorado o tempo todo e de ter pedido, sem interrupção, para sair dali. Lembro-me que não fui a única a sofrer tamanha aflição, mas que a mesma não foi compreendida ou validada pelos adultos que nos acompanhavam… Lembro-me de ter sentido uma extrema injustiça por ter sido obrigada a vivenciar tudo aquilo e de não compreender porque não sentiriam os adultos empatia (tanto pelas crianças, como pelos animais!) numa situação daquelas? Quando a “visita de estudo” terminou, foi-nos pedido que fizéssemos um desenho, que partilho convosco. É um reflexo da dor e a escuridão que encheram o meu coração nessa momento, mas também da minha natureza “inconformada” e ao mesmo tempo decidida a escolher o caminho do Dharma, que todos vocês conhecem hoje! “Eu evito tudo isso no mundo!” até hoje, mesmo que continue a existir quem não compreenda a razão da minha aflição e das escolhas que daí resultam e depois de ter aprendido a não julgar quem tem um “caminho” ou um “tempo” diferente do meu, pois compreendo e aceito que todos somos diferentes! Mas tenho esperança que, um dia, todos os seres possam viver uma vida mais plena, mais consciente e em harmonia consigo mesmos, com os outros e com o ambiente que os rodeia e possam, finalmente, SER FELIZES!


🙏💚🌿

(grata à minha mãe, por guardar algumas coisas do passado que não me deixam esquecer QUEM SOU e o QUE FAÇO AQUI! 😉🙏❤️)



Bhagavad-Gītā, Capítulo XVI - OS ATRIBUTOS DIVINOS E DEMONÍACOS

1-3. Prossegue Krishna : "Vou dar-te os sinais característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz à Vida Divina : Intrepidez, pureza de coração, perseverança em busca da sabedoria, caridade, abnegação, domínio de si mesmo, devoção, estudo dos textos sagrados, austeridade, retidão, não-violência, veracidade, calma, renúncia, equanimidade, boa vontade, amor e compaixão para com todos os seres, ausência do desejo de matar, ânimo tranquilo, modéstia, delicadeza, firmeza, fortaleza, paciência, constância, pureza, humildade, indulgência. 4. Agora ouve as características dos homens que andam pelo caminho que conduz aos demónios: ostentação, arrogância, vaidade, ira, vulgaridade e ignorância. 5. Os atributos divinos conduzem ao homem à libertação e os demoníacos à escravidão. Não te lamentes, ó Pandava, tu nasceste com natureza divina. 6. Existem dois tipos de seres neste mundo: os divinos e os asuras (demoníacos). Os divinos já foram descritos amplamente. Agora ouve-Me, ó Partha, sobre os asuras. 7. Os homens asurícos não sabem o que devem fazer nem o que não devem fazer; neles não se encontra nem a pureza, nem a boa conduta, nem a verdade. 8. Eles opinam que neste universo não há verdade, nem moralidade, nem Deus; o mundo, segundo eles, é o produto da união carnal. 9. Sustentando este conceito, estas pessoas ruins, de pouca inteligência e de ações ferozes, vivem como inimigas do mundo, só para a destruição. 10. Entregam-se aos prazeres carnais e dizem que esse é o mais alto bem. Mas nunca os prazeres dos sentidos os satisfazem, porque, mal um apetite obteve satisfação, já emerge um outro, cada vez mais imperioso. Esses homens são hipócritas, vaidosos e ilusos.  11. É impura a sua vida, porque, pensando que com a morte tudo se acaba, crêem que o supremo bem consiste na satisfação de seus desejos.  12. Enleados nas teias do desejo, entregam-se à volúpia, à ira e à avareza; prostituem as suas mentes e o seu sentimento de justiça, procurando acumular riquezas por meios ilegais, com o fim de terem com que satisfazer os desejos materiais. 


13. Dizem eles: “Isto eu ganhei hoje; amanhã irei conseguir mais este objeto de meu desejo; esta fortuna é minha e aquela será minha também.”.


14. “Matei este inimigo, amanhã matarei outros também; eu sou o senhor, e tudo no mundo há de me servir para o meu gozo. Eu sou feliz, forte, poderoso!”. 15. “Eu sou rico e nobre. Onde está outro que me iguale? Distribuirei esmolas entre a população, para que se conheça a minha liberalidade e se espalhe a minha fama!”. Assim os engana a ignorância.  16. E confundidos pelos seus pensamentos e enleados na rede da ilusão, procurando sempre só a satisfação dos seus desejos, precipitam-se no horrendo inferno (Naraka).  17. Alguns deles, em sua hipocrisia, desejam aparecer como bons perante o mundo e, por isso, praticam atos de piedade e ritos da religião, seguindo, entretanto, apenas a letra, e repelindo o espírito das doutrinas religiosas, e dando as es molas com ostentação e com coração frio.  18. Estes seres malignos, egoístas e violentos, cheios de orgulho, voluptuosidade e ira, odeiam-Me e a tudo o que é bom, tanto em si mesmos, como nos outros seres.  19. Lanço perpetuamente a eles, os malvados, cruéis e degradados, aos ventres asúricos, para que nasçam nestes mundos. 20. Ó Kaunteya, essas pessoas alucinadas vão para as matrizes demoníacas durante muitas vidas e continuam a cair em corpos cada vez mais inferiores. 21. Três são as portas deste inferno destruidor do ser: luxúria, ira e avareza, por isso devem ser abandonadas. 22. Ó Kaunteya, aquele que foi além destas portas escuras e pratica o que é bom para si mesmo, alcança a Meta Suprema. 23. Mas quem despreza os mandamentos da Lei e se entrega aos impulsos do desejo, não consegue a perfeição, nem a felicidade, nem a Meta Suprema.  24. Portanto, sejam as escrituras a tua norma na determinação do que deves e não deves fazer. Neste mundo, age sempre de conformidade com as escrituras cujos preceitos conheces bem.



ॐ असतो मा सद्गमय । तमसो मा ज्योतिर्गमय ।

मृत्योर्मा अमृतं गमय । ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥

oṁ asato mā sad gamaya tamaso mā jyotir gamaya

mṛtyor mā amṛtaṁ gamaya oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ

Oṁ

Possamos nós ser conduzidos da ilusão para a verdade.

Possamos nós ser conduzidos da escuridão para a luz.

Possamos nós ser conduzidos da morte para a imortalidade.


Que haja Paz, Paz, Paz.


ॐ लोकाः समस्ताः सुखिनो भवन्तु

ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः॥

Oṁ lokā samastā sukhino bhavantu

Oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ

Hariḥ Oṁ 

Oṁ

Que todos os seres, em todos os lugares, sejam felizes.

Que haja Paz, Paz, Paz.



Obrigada por me lerem… Com todo o meu amor e carinho, desejo-vos coragem, bons questionamentos (hoje e sempre) e boas práticas… Dentro e fora do tapete! Para que um dia, possamos ver no mundo, a mudança que ocorre em nós através do Yoga!

Namaste, 🙏💚🌿 Rita



Padma Final 01.jpg

Padma Yoga Shala

Largo de São João, nº18, 2º andar

9500-106 Ponta Delgada

padmayogashala@gmail.com