Yama / Niyama

Se estiver a considerar a frequência das aulas no Padma Yoga Shala🌿, por favor verifique primeiro que ressoa com estes princípios e que se sente disposto a praticá-los com o mesmo interesse e dedicação que as posturas (āsana). Eles constituem a base e as fundações do Yoga, assim como de toda a estrutura energética e vibratória da prática, das aulas e do próprio espaço.

Namaste

O Aṣṭāṅgayoga compreende oito etapas denominadas literalmente os “Oito membros do Yoga”, que são as seguintes : Yama (comportamento ético), Niyama (regras de conduta), Āsana (postura), Prānāyāma (controlo do sopro e expansão da energia vital), Pratyāhāra (recolhimento dos sentidos), Dhāranā (concentração), Dhyāna (meditação) e Samādhi (meditação profunda - ênstase). 

 

Os dois primeiros membros, Yama e Niyama, que correspondem respectivamente às noções do comportamento ético e às regras de conduta são a base da prática do yogin e devem ser conhecidos e compreendidos, antes da prática de āsana, a postura.

 

Os Yama (याम), são os ditos “refreamentos” e determinam o comportamento ético dos yogin (योगिन्) e das yoginī (योगिनी) e, em geral, deveriam igualmente determinar o comportamento ético de qualquer praticante de Yoga sincero e dedicado. Referem-se ao controle das tendências naturais e instintivas, inerentes a todos os seres vivos, de modo a harmonizar as relações do ser humano em sociedade e com todos os seres vivos, em geral. Desta prática, depende a nossa integridade física, psíquica, emocional, espiritual e energética.

 

São :

 

Ahiṃsā (अहिंसा), a não-violência, é a base do Yoga. É a mais fundamental destas cinco obrigações e implica não só a abstenção de matar ou cometer actos de violência, mas também o não consentimento e a abstenção de pensamentos, palavras ou actos nocivos.

Sātya (सात्य), o segundo Yama, é a procura da verdade. O yogin deve esforçar-se por harmonizar todos os seus actos com as suas palavras e os seus pensamentos, evitando toda e qualquer distorção devida a um interesse pessoal ou amor-próprio.

Asteya (अस्तेय), refere-se à honestidade, à abstenção do roubo e da cobiça, ao respeito pela propriedade de outrem. Esta obrigação compreende a abstenção de roubo, mas também da cobiça e da inveja.

Brahmācārya (ब्रह्मचर्य), o quarto Yama, faz referência à continência ou moderação. Para aqueles que escolheram a via ascética, brahmācārya representa a abstenção de toda a actividade sexual, por actos, pensamentos ou palavras. Para aqueles que escolheram esta filosofia de vida, mas mantêm a sua vida em sociedade, esta prática implica a moderação na utilização da sua energia vital e também sexual, de forma a preservá-la e reforçá-la.

Finalmente, Aparigrāha (अपरिग्रह), o último Yama, é a não-possessão ou o desprendimento. O yogin deve abster-se de acumular bens materiais e esforçar-se por guardar apenas o que é essencial à preservação da sua vida.

Os Niyama (नियम), que são igualmente cinco, constituem a segunda etapa ou membro da prática de Yoga. São as regras de conduta ou “observâncias”. O seu propósito é a organização da vida interior e pessoal do yogin. Estas observâncias, que devem ser praticadas quotidianamente, permitem eliminar as emoções e pensamentos e trazer apaziguamento e estabilidade tanto à prática como à vida quotidiana.

São :

 

O primeiro Niyama é Śauca (शौच), a purificação ou pureza. Esta purificação diz respeito à higiene corporal externa, mas também à purificação interior dos órgãos, que se obtém através de um modo de vida saudável ou com a ajuda de diversos processos de limpeza interna (kriyā क्रिया). A purificação interior refere-se igualmente ao saneamento dos pensamentos e emoções, que se obtém, neste caso específico, através da concentração (dhāraṇā धारणा) e da meditação (dhyāna ध्यान). Śauca pode e deve igualmente ser aplicado ao espaço de vida, de trabalho e de prática.

Saṃtoṣa (संतोष), o segundo niyama, é o contentamento. O contentamento é a capacidade que o yogin tem de não se deixar afectar por qualquer tipo de acontecimento, seja ele externo ou interno, mantendo a cada instante a serenidade. É igualmente a capacidade de se contentar com pouco, de ser frugal, de ser sereno.

Tapas (तपस्) é a disciplina, o esforço sobre si mesmo, muitas vezes traduzido igualmente pela força da alma adquirida pela ascese. Na prática de Yoga, é preciso ter força e determinação para aceitar o esforço necessário à realização de certas práticas como ficar imóvel numa posição, suportar o silêncio, a fome, a sede, o calor ou o frio e o jejum, por exemplo. Mas é igualmente necessário força e determinação para aceitar o desafio de ser confrontado aos kleśa, às causas de sofrimento, que são a ignorância metafísica da nossa verdadeira essência (avidyā अविद्या), o egoísmo (asmitā अस्मिता), o apego (rāga राग), a repulsa (dveṣa द्वेष) e o medo da morte ou um forte apego à vida, causa da nossa ansiedade existencial (abhiniveśa अभिनिवेश), sem se deixar desviar do caminho proposto e sem desistir do objectivo final que é mokṣa (मोक्ष), a Liberdade.

Svādhyāya (स्वाध्याय) é o estudo de si mesmo através do estudo dos textos sagrados e da recitação de mantras. Na tradição brahmânica, o svādhyāya é o estudo e a prática dos textos védicos. Para o yogin, é o estudo dos textos tradicionais relativos à Libertação (mokṣa), assim como de todos os tratados onde são ensinados diferentes aspectos do Yoga.

E, finalmente, depois de se ter praticado todos os Yama e todos os Niyama, depois de se ter dado o melhor de si mesmo e de se ter feito todos os possíveis para se manter firme, dedicado e perseverante nesta prática, o yogin aplica-se a praticar a última das observâncias com a mesma intensidade e dedicação que todas as outras : Īśvarapraṇidhāna (ईश्वरप्रणिधान), que é a entrega ao Absoluto/Deus ou o dom de si mesmo, a “oferenda de todas as suas acções a Deus”.

Se escolherem aprofundar este tema, encontram mais amplas explicações no Blog, aqui e aqui.

 

 

 

Inspire, e Deus aproxima-se de si.
Contenha a inspiração, e Deus permanece consigo.
Expire, e é você que se aproxima de Deus.
Contenha a expiração, e entregue-se a Deus
.”

Sri Tirumalai Krishnamacharya

ओम् तत् सत्,

Om Tat Sat